Ocupação: Dona de Casa

...e lá se vai mais um mês; abril, fechou!

Vou te falar viu! Esse mês eu tive uma baita de um bloqueio criativo. Desde de que criei o blog em fevereiro este foi o mês que eu menos postei. Tive algumas idéias de postagem mas nenhuma me pareceu boa, auto crítica como sou, tenho pavor de postar porcaria só pra dizer ''tem post novo no blog'' nos grupos de divulgação, que pra minha tristeza e decepção tá mais pra grupo de troca de favores. 

Escrevi um ''textículo'' (sim, por mais irônico que possa parecer, este é o diminutivo para texto) como forma de desabafo ha uns meses atrás, mas só decidi publica-lo hoje depois que vi um vídeo de uma blogueira chamada Mari Simionato, compartilhado por uma amiga, onde ela, a blogueira, fala sobre a valorização da dona de casa. Mas não só por isso, ha algum tempo venho aguardando pela oportunidade de posta-lo e apesar de ter ''aberto um espaço'' para falar sobre mim e sobre minhas opiniões a respeito de diversos assuntos, até hoje não havia  algo que me fizesse acreditar que fosse o momento adequado.

Isso mudou ontem quando estive em uma entrevista de emprego,  e para minha tristeza não tive um resposta positivo já logo de cara; enfim, me chamaram pra uma ''prévia'' a fim de bater um papo sem compromisso para me conhecer melhor e ver se meu perfil realmente se enquadraria caso surgisse uma vaga,  caso isso acontecesse, teriam de antemão pessoas pré selecionadas. 

Pois bem, frustração a parte, vamos ao que me chamou atenção para publicar o texto.
Em um momento da entrevista fui questionada porque só depois de três anos morando na cidade eu resolvera então buscar um trabalho!
Minha resposta foi: ''porque tenho um filho que hoje está com 7 anos e depois de uma mudança não apenas de Estado como de ritmo de vida, que afetou a todos nós, achei melhor ficar em casa cuidando dele e de minhas filhas, que sofreram muito com a mudança.'' 
A entrevistadora anotou, filho 7 anos. Normal, tudo bem, eu pensei. 
Refletindo agora com mais calma fico imaginando, o que, mulheres que exercem funções como a da entrevistadora, devem pensar quando se trata de optar por ficar em casa e cuidar dos filhos a seguirem uma carreira. O que ela pensaria a meu respeito? Uma mulher de 37 anos, mãe de duas meninas (lindasss!!) de 17 e 12 e de um guri de 7 (fofooo!!); que não fez faculdade, trabalhou por alguns anos de hotel em hotel e que hoje, após 3 anos fora do mercado de trabalho se dispõe a voltar disputar uma vaga onde pessoas com menos idade e mais cursos poderiam facilmente vencer a disputa? 
Bem, talvez eu nunca saiba o que os entrevistadores tenham pensado a meu respeito (foram dois, um homem e uma mulher), mas de uma coisa eu sei; haverá sempre um lar onde meu trabalho e dedicação serão indispensáveis e inesquecíveis!
Desabafo feito vamos ao textículo!!! Gente calma, quando me ''da na veneta'' eu escrevo demais, mais do que falo, tenham paciência comigo amores! (risos).


Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar. Provérbio chinês


As pessoas me perguntam como eu consigo ficar dentro de casa por tanto tempo, como eu consigo gostar de ser dona de casa e não ter uma outra atividade extra-lar, vou chamar assim, se eu não me sinto infeliz por não ser independente e coisas desse tipo. Minha resposta? Meu lar é o melhor lugar deste mundo, onde eu sou eu mesma e não tenho que representar um papel agradável apenas aos outros, no meu lar eu sou amada e respeitada pelos meus filhos e pelo meu marido, no meu lar
embora eu não seja ''remunerada'' pelo trabalho diário, as vezes exaustivo e repetitivo não ha dinheiro no mundo que pague a gratidão de quem realmente dá valor a minha simples presença. 
Mas e sua independência financeira como fica? não é constrangedor ter de pedir dinheiro pra tudo, ter de dar satisfação de cada centavo, ter perguntar se pode ou não comprar aquilo que quer na hora que quer? Ah não isso eu não suporto; já ouvi de muitas mulheres, isso é humilhante!
Confesso que algumas vezes me senti mal por não ter meu próprio dinheiro, poder gastar sem a preocupação em dar satisfação. Até um dia que parei e pensei: Seria muito egoismo da minha parte, estar casada, acreditar profundamente na unidade matrimonial, acreditar com todas as minhas forças que os dois se tornam um quando contraem matrimônio, que o marido é sim o principal provedor da família, e finalmente tudo o que é necessário à um consequentemente afeta a necessidade do outro e querer que algo seja só meu, como um prazer secreto não corresponderia as minhas convicções. Foi aí que percebi que eu não teria que me sentir mal em compartilhar as minhas necessidades ou vontades com quem é parte de mim, que eu não tenho do que sentir vergonha por não trazer dinheiro para casa desde que exista a possibilidade que o meu marido possa faze-lo só, e que eu cumpra com a ''minha parte'' exercendo as funções domésticas não por uma causa obrigatória, mas como parte de um todo.
Construir uma família exige muito esforço, dedicação e muitas vezes renúncia. Um lar é muito mais que uma casa, e nós temos o grande privilégio de unir essas duas tarefas e com muito talento com o qual fomos dotadas pela natureza vamos além. Somos não só mães e esposas, nos tornamos educadoras, administradoras, secretárias, consultoras, terapeutas, contadoras, por vezes incontáveis exercemos a "medicina" e o "direito", e tantas outras atividades atribuídas a nós dedicadas donas de casa, desde as mais jovens as mais experientes que nem nos damos conta que podemos estar realizando desejos e ambições que muitas mulheres foram buscar ''extra-lar'' não conseguirão realizar.
Não se pode negar o mérito às mulheres que além de serem donas de casa também são profissionais no mercado de trabalho (há bem pouco tempo eu fui uma delas), essa dupla função não é nada fácil eu concordo. As mulheres sempre foram muito cobradas desde os primórdios dos tempos, quanto mais elas avançam na sociedade mais elas são cobradas, não só pelos padrões impostos, mas por ela mesma. Alcançamos as custas de muito esforço lugares inimagináveis por nossas avós, e porque não dizer para muitas de nós por nossas mães.
Por muitos anos centenas de milhares de lares em todo mundo viram suas mães e esposas deixarem seus postos de donas de casa em tempo integral em busca de melhores condições para família, outras em busca da realização pessoal, cada uma com seu motivo, cada uma com sua necessidade.
Hoje muitas (os) acreditam que quando a mulher diz que é feliz sendo uma ''simples dona de casa'', é porque ou a mulher é preguiçosa e não quer levantar cedo pra trabalhar, ou ela é uma aproveitadora que só quer viver as custas do dinheiro do marido, ou então  é uma pobre coitada que vive sob o machismo do marido e a taxam pejorativamente de submissa. 
Embora infelizmente haja casos em que essa suspeita seja verdadeira, o que é uma vergonha em minha opinião, eu quero ser otimista e dizer que isto seja uma exceção e não uma regra. Para mim toda mulher moderna deveria não apenas ter o prazer de conhecer o lado bom de ser uma dona de casa, mas muito mais importante, reconhece-lo como tal. 
Poder cuidar dos filhos, arrumar a casa sem pressa, plantar um jardim, fazer um casaco de tricô para marido mesmo que fique dez números maior, assistir um filme no meio da tarde, ler até de madrugada, fazer um bolo gostoso que o maridão e as crianças adoram e comam como se não houvesse amanhã sem ter data específica de comemoração, não ter de se preocupar se o chefe vai ou não acreditar que seu filho passou a noite toda ardendo em febre e por isso você chegou meia hora atrasada e não consegue se concentrar no trabalho, ou pior, se ele vai acreditar que logo depois disso, os outros dois menores também ficaram doente e você teve que pedir um atestado médico por uma semana ( meu Deus como isso é terrível!). 
Participar do conselho de pais e mestres e de todas as reuniões e apresentações escolares onde você é a primeira a chegar, que mesmo cansada depois um dia inteiro de faxina pode relaxar porque no outro dia mesmo com as tarefas se repetindo, ninguém vai te dizer que teu rendimento caiu e está fazendo corpo mole. 
Quantas mulheres constantemente trabalham semanas sem folga, trocam seus horários, cobrem folgas, só pra conseguir passar um feriado prolongado na praia com a família e tantas outras situações que muitas mulheres se sacrificam e se dispõem a fazer por um pouco de convivência ou até mesmo por elas mesmas quando querem ou precisam fazer algo por si. Nós donas de casa em tempo integral precisamos valorizar cada uma dessas situações. Quantas não gostariam de estar em nossos lugares e por motivos maiores que o querer as privam disso!
Ser dona de casa não é se isolar, ser dona de casa é exercer uma função nobre que jamais deveria ser desmerecida principalmente por nós, nunca deveríamos nos envergonhar, muito pelo contrário, deveríamos ensinar as nossas filhas (e filhos) a importância de saber cuidar de uma casa, desde os mínimos detalhes, é triste ver que as meninas hoje não sabem lavar uma louça, que nunca pegaram em uma agulha de costura e pior, dizem a plenos pulmões que não querem aprender a fazer coisas de casa porque não serão faxineiras quando cresceram, quanta falta de educação e de respeito, quanta rebeldia na maioria das vezes sem causa que infelizmente é fruto de uma ideologia feminista que hoje ao invés de valorizar o lado feminino quer lutar contra a própria natureza além de promover uma ''guerra dos sexos''; é tanto que este termo agora é politicamente incorreto e eu deveria dizer divergências entre os gêneros! 
Espero que com esse texto, as mulheres, independente de idade e condição financeira comecem a dar um pouco mais de importância a sua condição de serem ''do lar'', que não se vejam mais como escravas sem valor, que comecem a olhar o quanto elas são importantes na construção de um lar sólido, como elas são imprescindíveis na vida dos seus maridos, como a sociedade pode ficar melhor através da dedicação e do tempo que elas dispõem para os seus filhos desde o nascimento até o momento em que eles deixam suas casas para construírem sua própria história, e como um lar onde essa figura maternal e heroica irá contribuir com as futuras gerações. 
Valorizem-se mulheres, valorizem aquilo que para a grande maioria é considerado obsoleto, retrógrado e sem graça, amem-se, sejam gratas, piedosas, graciosas, guerreiras, lutem por seus lares por seus filhos, pela simplicidade e aconchego dentro das suas casas eu tenho convicção que no final das contas, teu valor será muito maior que qualquer contrato que já tenha assinado, que a satisfação do dever cumprido será prazeroso e refletirá por muitas gerações ficará vivo na memória de quem mais importa, os seus.


Pra finalizar, deixo aqui para reflexão, uma indicação de leitura deste lindo texto que está no Tanakh, mais conhecido como Bíblia Sagrada, em Provérbios 31 versos 10 a 31. Dedico a todas as mulheres, jovens, adultas, idosas, solteiras, casadas, divorciadas, viúvas, independente do credo que professam, estilo de vida ou profissão, essas palavras que tão bem definem o ideal de uma mulher na ótica sagrada na crença a qual eu professo. Que estas palavras do Livro possam levar a cada uma de vocês leitoras (e leitores) há um profundo reconhecimento da importância que exercemos na humanidade. Um grande beijo e parabéns à nós! 

''Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor em muito ultrapassa os das mais finas jóias! O seu marido tem plena confiança nela, e a miséria jamais chegará à sua casa...''

Soul Retro

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